além do concreto
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“Só uma coisa a favor de mim eu posso dizer: nunca feri de propósito. E também me dói quando percebo que feri. Mas tantos defeitos tenho. Sou inquieta, ciumenta, áspera, desesperançosa. Embora amor dentro de mim não falte.”








Mal nenhum.

Quero paz. Enquanto a cidade grita lá fora e não para, eu fumo uns cigarros, tento ler uns livros, desligo tudo na casa pra ter um som uniforme (não sei como explicar), já que eu sei que é impossível ter silêncio absoluto. Agora assim: gritos, portas, buzinas, um zumbido que nunca abandona e as vezes uma voz que eu pensei ter esquecido, uma voz que é uniforme, elegante - pode ser assim? Pensei que tivesse esquecido. Paz é quando a gente se perdoa mesmo? Por favor, me diz que não é assim. Que paz é qualquer outra coisa, menos essa. Paz não pode ser quando a gente se perdoa porque eu não sei se sou capaz de me perdoar, de perdoar quem fez eu ser quem sou hoje (na minha cabeça, pra ser completo e verdadeiro tem que ser assim). 

Enquanto as flores morrem e os pássaros somem e os prédios engolem o que tá lá fora, eu invento historinhas sem fúria sobre os limites do universo ou sobre um universo sem limites, sobre Plutão e Caronte e a saudade que eu sinto dos lugares que eu não fui, que não existem, dos lugares que nem são lugares de verdade. Minto que as guerras não são tristes, e finjo que Palestina é o nome de uma flor bem rara e que se eu quiser eu posso ir lá pegar e trazer aqui pra casa e não deixar que ela morra, suma ou seja engolida. Mas eu não faço isso. Não me perdoo. 

Talvez eu esteja louca mesmo ou perto disso ou sã demais, o que cê acha? 

Não sou eu que aponto as armas, que mato as flores, silencio os pássaros, construo os prédios. Mas eu choro todas as dores, eu escuto os tiros, eu sufoco, eu desapareço, eu esqueço. Sinto muito. 







highalia:

you said I was gonna be a mermaid

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